Como produzir leite economicamente viável


Silagem de milho precisa ter kd (velocidade de degradação) de FDN de 5%/h, com quantidade de ácido lático três vezes maior do que acético, amido ao redor de 35% com uma digestibilidade de cerca de 70%. Não, você não está em um simpósio e esta não é a fala de um técnico, mas sim do dono das vacas. Anualmente, a revista americana Hoards Dairyman seleciona produtores referência e discute como eles conseguem produzir leite bem mais em conta do que a média. A resposta: eles produzem forragem com o máximo possível de qualidade que a fazenda pode oferecer. E ainda mais – eles sabem o que é qualidade. Acompanhe a entrevista:

Por que você mudou para dietas de alta forragem?

Fazenda A – Para reduzir gastos com compra de insumos e aumentar a lucratividade.

Fazenda B – Nós já utilizamos de 50 a 60% de forragem na dieta total por mais de 10 anos. Nos últimos 5 anos, nós aumentamos para 65 e 75% e finalmente hoje estamos entre 70 e 80%. Nosso grande motivo foram as razões econômicas e a saúde do rebanho. Vacas que produzem mais de 27 kg/dia recebem concentrado de acordo com o estágio da lactação e condição corporal. Vacas abaixo de 27 kg/dia em bom estado corporal recebem uma dieta com 100% de forragem.

Fazenda C – Nós estamos focando em maximizar forragem na dieta por muitos anos. A quantidade de forragem tem aumentado porque a digestibilidade do FDN tem aumentado.

Fazenda D – Nós sempre alimentamos nossas vacas com dieta de alta forragem. Com o preço dos grãos altos como estamos enfrentando, a utilização dos mesmos nas dietas tem sido antieconômica.

Como o seu rebanho respondeu com a mudança para dietas de alta forragem?

Fazenda A – Rebanho mais saudável, menos problemas de cascos, aumento na taxa de prenhez e aumento dos sólidos do leite.

Fazenda B – No meu rebanho, a produção diminuiu um pouco (entre 1,3 kg a 2,3 kg/vaca/dia). Gordura do leite passou de 3.5-3.7% para 3.9-4.2%. Proteína não mudou muito. A saúde do rebanho melhorou. Temos menos problemas como deslocamento de abomaso e casco.

Fazenda C – No momento em que aumentamos a quantidade de forragem oferecida para as vacas, nós também melhoramos as fontes de carboidrato e proteína. Hoje nós temos menos problemas metabólicos, maior consumo de matéria seca e aumento nos componentes do leite.

Fazenda D – Na nossa fazenda, nós vimos aumento da produção e sólidos do leite, mas o mais importante foi a melhoria na saúde do rebanho. Nossa grande mudança foi na taxa de concepção. Ainda obtivemos uma redução no custo por vaca por dia.

Qual sua definição de forragem de qualidade?

Fazenda A – No cocho, nos preocupamos com matéria seca, FDN, digestibilidade de FDN e tamanho de partícula. No campo, avaliamos maturidade, matéria seca do milho, velocidade de secagem do feno e ainda selecionamos por hibrido.

Fazenda B – Para nossa silagem de milho, nós temos a meta de 30 a 35% de matéria seca. Nós também queremos nosso kd seja alto. Nós utilizamos amido ao redor de 35% com 70% de digestibilidade. Para feno, nós queremos que a porcentagem de ácido lático seja 3x o valor do ácido acético. Também observamos palatabilidade, ausência de fungo e verificamos para que nossa dieta não esquente no cocho.

Fazenda C – Nós focamos em uma combinação de fatores, produtividade e técnica de colheita. No campo, monitoramos a maturidade das plantas. No momento da colheita, nós prestamos muita atenção no tamanho de partícula e umidade.

Fazenda D – Matéria seca da planta entre 34 e 36%, amido acima de 30%, digestibilidade da FDN em 30 horas maior que 60%, digestibilidade do amido maior que 80% e ainda focamos muito em perfil de ácido graxos voláteis. Nossa meta é maximizar amido e digestibilidade.

Em suma, este artigo teve o objetivo de mostrar uma ferramenta (utilização de dietas com alta forragem) e o grande impacto que esta pode causar na fazenda. Cada fazenda, em conjunto com sua equipe técnica, deve definir sua estratégia de produção de forragem e identificar maneiras de maximizar forragem na dieta dos animais.