Redução no ciclo de produção de bovinos de corte como estratégia de redução da emissão de gases do efeito estufa


A eficiência dos sistemas brasileiros ainda é passível de melhorias, assim, tem grande capacidade de aumentar a quantidade de produto final, mantendo ou até mesmo reduzindo a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE).

Conforme estimativas realizadas por Barioni et al. (2007), o aumento da taxa de natalidade de 55 para 68%, a redução na idade de abate de 36 para 28 meses e a redução na mortalidade até 1 ano de 7 para 4,5%, permitiria que em 2025 as emissões de metano em ralação ao equivalente carcaça produzido fosse reduzidas em 18%. Isso seria possível mesmo com o aumento estimado em 25,4% na produção de carne. Ou seja, toda ação que melhore a eficiência do sistema de produção reduz proporcionalmente a emissão de metano, uma vez que mais produto (carne, etc.) será produzido em relação aos recursos utilizados (Guimarães et al.,2010).

Chizzotti et al. (2011) realizaram uma simulação do efeito da redução da idade de abate através da intensificação dos sistemas de produção de bovinos de corte e também do efeito da melhoria da eficiência alimentar sobre o impacto ambiental da atividade pecuária. As simulações foram realizadas para vários sistemas de produção, considerando diferentes cenários para abate de animais aos 44, 30, 26, 20 ou 14 meses de idade, adotando diferentes estratégias na recria e engorda dos animais.

É importante salientar que neste estudo os autores não consideraram os custos energéticos da produção de alimentos conservados (silagem) e também de alimentos concentrados, que são custos importantes quando da utilização de sistemas altamente intensivos, como por exemplo, àqueles visando o abate de animais aos 14 meses de idade.

Ao se reduzir a idade de abate de 44 para 30 meses os autores observaram uma marcante redução no consumo de recursos naturais e também no impacto ambiental da atividade. Nesta situação, o consumo de matéria seca total, do nascimento ao abate foi reduzido de 6.258 kg para 4.832 kg. Com isso, a redução na produção de metano total foi de 23%. Os autores ressaltam que a diferença de um sistema para o outro se deve a utilização de pequena quantidade de suplemento na seca e uma pequena melhoria no sistema de manejo de pastagem, implicando em pequeno incremento nos GEE oriundos da produção de alimentos. Ou seja, com a adoção de técnicas simples obteve-se maior eficiência na produção de carne, tornado o sistema mais produtivo e sustentável.

Para os animais que foram abatidos aos 20 meses, a emissão de metano foi reduzida em 53%, podendo chegar a 68% de redução no caso de animais super-precoces (abate aos 14 meses). Entretanto, a emissão de GEE oriundo dos alimentos e do transporte e fornecimento desses não foi considerada, o que deve diminuir o potencial de redução na emissão de metano dos sistemas mais intensivos. Ainda nesta simulação, quando os autores avaliaram a emissão de metano por unidade de produto, o impacto da redução da idade de abate é ainda mais intenso. Comparando-se o sistema de abate aos 44 meses com o de abate aos 20 meses, a redução na emissão de metano é da ordem de 60%, ou seja, os sistemas mais intensificados apresentam menor emissão de metano por kg de carne produzido.

É justamente neste aspecto que a produção de gado de corte no Brasil tem sido bastante criticada, devido à elevada emissão de GEE concomitante com uma baixa eficiência de produção, gerando uma relação desfavorável entre kg de GEE emitidos e kg de carne produzidos.